Amores cães

POR AMOR ao Brasil

lembro
quando tudo era sonho
quando a gente nem se conhecia
nós
nem nos conhecíamos
lembro
sinto muito
a gente nem sabia o que dizer
lembro
quanta vontade
em mim
e podia perceber em cada um
cada palavra
cada sentimento
e podia jurar que era verdade
e não só jurava para todos que me conhecem
e tambem previa
eu previa tudo que todos previam
eu ficaria sozinho
lembro
quanto tudo era apenas sonho
quanto a gente nem se conhecia
e quanto
a gente ainda nem se conhece
quando a distância
sequer sabemos
a mesma coisa de antes
lembro
o todo que falamos
a gente pouco se falava
e eu continuava sozinho
quanto falava sozinho
e nada me incomodava
até mesmo pensasse quem
não há mal nenhum
jamais
em pensar
quanto me humilhei
lembro
quanta vontade
em mim
eu podia perceber cada um
que já estava
cada um que chegava
mais um que não enxergava
e logo pensava
o que todos pensavam
lembro
como jamais podia falar
do impensável
quanto difere do ridículo
quanto difere do extraordinário
e de uma mera mamadeira
ou do desejo de uma boca para mamar
lembro quanto
lembro quando
lembro de Cartola
tanto quanto de Lampião
que se recusou a rir
e foi
para não chorar
diante da poesia
e da política.

Queria Que Você Estivesse Aqui

Então,
Então você acha que consegue distinguir
O paraíso do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?
Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?
Como eu queria, como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui
(Pink Floid)
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Deixe a luz abrir os olhos

  1. A meu ver, a arte não é uma diversão solitária. É um meio de emocionar ao maior número de homens oferecendo-lhes uma imagem privilegiada de dores e alegrias comuns. Obriga, pois, ao artista a não se isolar; muitas vezes elege seu destino mais universal. E aqueles que muitas vezes elegeram seu destino de artistas porque se sentiam diferentes, aprendem cedo que não poderão nutrir sua arte nem sua diferença senão confessando sua semelhança com todos. O artista se forja nesse perpétuo ir e vir de si mesmo aos demais; eqüidistantes entre a beleza, sem a qual não pode viver, e a comunidade, da qual não pode desprender-se. Por isso os verdadeiros artistas não desdenham nada; obrigam-se a compreender em vez de julgar, e se têm de tomar um partido neste mundo, este só pode ser o de uma sociedade na qual, segundo a grande frase de Nietzsche, não tem de reinar o juiz senão o criador, seja trabalhador ou intelectual.
  2. Pelo mesmo, o papel do escritor é inseparável de difíceis deveres. Por definição, não pode pôr-se a serviço de quem faz a história, senão a serviço de quem a sofre. Se não o fizesse, ficaria só, privado até de sua arte. Todos os exércitos da tirania, com seus milhões de homens, não lhe arrancarão da solidão, ainda que consinta em acomodar-se a seu passo e, sobretudo, se o consentisse. Mas o silêncio de um prisioneiro desconhecido, basta para tirar o escritor de sua solidão, cada vez, ao menos, que consegue, no meio dos privilégios de sua liberdade, não esquecer esse silêncio, e trata de recolhê-lo e substituí-lo para fazê-lo valer mediante todos os recursos da arte. Nenhum de nós é bastante grande para semelhante vocação. Mas em todas as circunstâncias de sua vida, obscuro ou provisoriamente célebre, enjaulado pela tirania ou livre de poder expressar-se, o escritor pode encontrar o sentimento de uma comunidade viva, que lhe justificasse a condição de que aceite, na medida do possível, as duas tarefas que constituem a grandeza de seu ofício: o serviço da verdade e o serviço da liberdade. E, pois, sua vocação é agrupar o maior número possível de homens, não pode acomodar-se à mentira e à servidão que, onde reinam, fazem proliferar as solidões. Quaisquer que sejam nossas fraquezas pessoais, a nobreza de nosso ofício arraigará sempre em dois imperativos difíceis de manter: a negativa a mentir respeito do que se sabe e a resistência à opressão. Durante mais de vinte anos de uma história demencial, perdido sem recurso, como todos os homens de minha idade, nas convulsões do tempo, só me sustentou o sentimento fundo de que escrever é hoje uma honra, porque esse ato obriga, e obriga a algo mais do que a escrever. Obrigava-me, essencialmente, tal como eu era e como arranjo a minhas forças, a compartilhar, com todos os que viviam minha mesma história, a desventura e a esperança. Esses homens – nascidos ao começo da primeira guerra mundial, que tinham vinte anos à época em que se instaurou, ao mesmo tempo, o poder hitlerista e os primeiros processos revolucionários, e que para poder completar sua educação se viram enfrentados depois à guerra da Espanha, a segunda guerra mundial, o universo dos campos de concentração, a Europa da tortura e as prisões – se vêem obrigados a orientar seus filhos e suas obras num mundo ameaçado de destruição nuclear. Suponho que ninguém pretenderá pedir-lhes que sejam otimistas. Até que chego a pensar que devemos ser compreensivos, sem deixar de lutar contra eles, com o erro dos que, por um excesso de desespero, reivindicaram o
  3. direito e a desonra e se lançaram aos niilismos da época. Mas sucede que a maioria de nós, em meu país e no mundo inteiro, recusamos o niilismo e nos consagramos à conquista de uma legitimidade. Foi preciso forjar-se uma arte de viver para tempos catastróficos, a fim de nascer uma segunda vez e lutar depois, frente a frente, contra o instinto de morte que se agita em nossa história. Indubitavelmente, cada geração se crê destinada a refazer o mundo. A minha sabe, no entanto, que não poderia fazê-lo, mas sua tarefa é quiçá maior. Consiste em impedir que o mundo se desfaça. Herdeira de uma história corrompida na qual se misturam revoluções fracassadas, as técnicas enlouquecidas, os deuses mortos e as ideologias extenuadas; em que poderes medíocres, que podem destruir tudo, não sabem convencer; em que a inteligência se humilha até pôr- se ao serviço do ódio e da opressão, essa geração deveu, em si mesma e a seu arredor, restaurar, partindo de suas amargas inquietudes, um pouco do que constitui a dignidade de viver e de morrer. Ante um mundo ameaçado de desintegração, no que nossos grandes inquisidores arriscam estabelecer para sempre o império da morte, sabe que deveria, numa espécie de carreira louca contra o tempo, restaurar entre as nações uma paz que não seja a da servidão, reconciliar de novo o trabalho e a cultura e reconstruir com todos os homens uma nova Arca da aliança. Não é seguro que esta geração possa ao fim cumprir esse labor imenso, mas o verdadeiro é que, por todos os lados no mundo, tem já feita, e a mantém, sua dupla aposta em favor da verdade e da liberdade e que, chegado o momento, sabe morrer sem ódio por ela. É esta geração a que deve ser saudada e alentada onde queira que se acha e, sobretudo, onde se sacrifica. Nela, certo de vossa segura aprovação, quisesse eu declinar hoje a honra que acabais de fazer-me. Ao mesmo tempo, depois de expressar a nobreza do ofício de escrever, quereria eu situar ao escritor em seu verdadeiro lugar, sem outros títulos que os que compartilha com seus colegas de luta, vulnerável mas tenaz, injusto mas apaixonado de justiça, realizando sua obra sem vergonha nem orgulho, à vista de todos; atento sempre à dor e à beleza; consagrado, enfim, a tirar de seu ser complexo as criações que tenta levantar, obstinadamente, entre o movimento destruidor da história. Quem, depois desses, poderá esperar do presente soluções já feitas e belas lições de moral? A verdade é misteriosa, fugidia, e sempre há que tratar de conquistá-la. A
  4. liberdade é perigosa, tão dura de viver como exaltante. Devemos avançar para esses dois fins, penosa mas determinadamente, descontando por antecipado nossos desfalecimentos ao longo de tão dilatado caminho. Que escritor ousaria, em consciência, proclamar-se predicador de virtude?

Bom, se voce leu até aqui, continue e, se puder, se apresente.

Fui exilado do Blogger, e sei que aqui não é terra estrangeira, sabendo que, através da imensurável capacidade humana para avançar além da mera adaptação, podemos, com um detalhe a mais, mudar o mundo em que estamos “adaptado”.

Minha meta maior é se tornar plenamente prática de uma meta única e nossa! Para tanto, espero estar começando do zero, apesar do discurso inicial, que tomei como resumo dos ruídos que ouvi através das paredes que me gestavam.

Estou fora, e não pretendo voltar para meu útero anterior(?). Toda cria deve abandonar seu criador, porém sem jamais ‘se voltar contra’.

O mundo é uma delícia, mais que a vida!!! Isso parece uma expressão meramente entusiasta, sem muito sentido imparcial, mas é uma expressão com todo sentido imparcial e nenhum sentido parcial da existência.

Palavras, termos e conceitos determinam sentidos! Precisamos tomar muito cuidado quando infinitas palavras, termos e conceitos levam a poucos sentidos e ou ao sentido parcial da nossa existência!

Quantas são as situações onde, não importando a que nível de conhecimento cultural, situação econômica, de fama, etc., estamos, o que mesmo importa é a comunicação. Nem é preciso colocar alguns exemplos aqui. A comunicação é sentido imparcial e, embora necessária, qualquer normatização de sua prática jamais deixará de ser também uma parcialização de seu sentido.

Eu me

ocuparei muito em devolver o sentido imparcial de Amor, e não tão somente, é óbvio, porque de Amor tudo carece.

Então, voce, mais um a nos tornarmos milhões, vamos em frente!

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Hello world!

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